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Valda Prata

Valda Prata

Protetora dos Animais

Funcionária pública e protetora dos animais nas horas vagas. Presidente da FAUNA (Francisco de Assis União Protetora dos Animais) de São José do Rio Preto/SP.

Vivissecção: o que é isso? A visão de uma protetora

 

Vivissecção é dissecar um animal vivo para de realizar estudos, ou seja, é cortar o animal vivo para fazer “experiência científica”.

 

A vivissecção encontra apoio na legislação brasileira, através da Lei Federal n°11.794, de 8 de outubro de 2008, conhecida como Lei Arouca, porque foi um projeto apresentado em 1995, pelo então deputado Sérgio Arouca, já falecido. Esta lei regulamenta a utilização de animais em pesquisas científicas.

 

Vivissecção: o que é isso?

 

Portanto, juridicamente, a vivissecção não configura os maus tratos de que trata o art. 32, §1° da Lei de Crimes Ambientais.

 

Em relação à vivissecção, existem três grupos de pessoas: os vivisseccionistas, os abolicionistas e os defensores dos três erres.

 

Os vivisseccionistas defendem a vivissecção, como forma importante de pesquisa; os abolicionistas querem o fim da utilização dos animais, seja em pesquisa, teste de produtos ou  estudo; os defensores dos 3R’s –  Replacement, Reduction and Refinament[1] (substituição, redução e refinamento) defendem que na medida do possível deve-se reduzir o uso de animais, substituindo-se o por outro método de pesquisa e quando necessário utilizar o animal, tentar diminuir ao máximo seu sofrimento.

 

Assisti ao documentário  “Não Matarás” do Instituto Nina Rosa e chorei. Quem se interessa pelo tema deve assistir, mas se prepare para cenas chocantes, com animais presos em jaulas, com queimaduras, olhos inflamados e outras barbaridades.  Defensores de animais conseguiram se empregar em empresas apenas para registrar estes horrores feitos aos animais.

 

Muitas torturas são praticadas todos os dias “em nome da ciência”. Animais são obrigados a inalar ou engolir um produto para saber a reação. Substâncias são aplicadas nos olhos de coelhos, que acabam cegos.  Também são feitas experiências em cachorros, macacos,  gatos, ratos, porcos etc.

 

Recentemente, a questão de testes em animais veio à baila com o caso dos cães da raça Beagle que eram vítimas de testes no Instituto Royal, levando o Governador Geraldo Alckmin sancionar a Lei paulista nº 15.316/14 que proíbe,  no estado de São Paulo, testes com animais para fins de cosméticos e produtos de higiene pessoal, mas para fins científicos continua podendo.

 

E quando se fala em pesquisas com animais para descobrir a cura de doenças, muitas pessoas acham que o sofrimento do animal fica justificado. Não é bem assim. Até porque os resultados não são garantidos e muita coisa que não faz mal para eles pode fazer para nós (o cigarro por exemplo foi testado em animais e para eles não fazia mal). Quantos remédios não são recolhidos do mercado porque se descobre que fazem mal? E já haviam sido testados em animais. Isso porque os animais são semelhantes a nós, mas não iguais. Portanto, a última cobaia vai ser sempre o ser humano.

O filósofo Jeremy Bentham (1748/1832), escreveu:

 

“Talvez chegue o dia em que o restante da criação animal venha a adquirir os direitos que jamais poderiam ter-lhe sido negados, a não ser pela mão da tirania. Os franceses já descobriram que o escuro da pele não é razão para que um ser humano seja irremediavelmente abandonado aos caprichos de um torturador. É possível que um dia se reconheça que um número de pernas, a vilosidade da pele ou a terminação do osso sacro são razões igualmente insuficientes para abandonar um ser senciente ao mesmo destino. O que mais deveria traçar a linha intransponível? A faculdade da razão, ou, talvez, a capacidade da linguagem? Mas um cavalo ou um cão adultos são incomparavelmente mais racionais e comunicativos do que um bebê de um dia, de uma semana, ou até mesmo de um mês. Supondo, porém, que as coisas não fosse assim, que importância teria tal fato? A questão não é ‘Eles são capazes de raciocinar?’, nem ‘são capazes de falar? Mas, sim: Eles são capazes de sofrer”.

 

Peter Singer, filósofo australiano, em seu livro “Libertação Animal”, explica que a experimentação animal é uma indústria de ampla escala e que existe muito interesse econômico por trás de todo este sofrimento: são grandes empresas que criam animais, comercializam gaiolas e equipamentos usados nos experimentos, comida para estes animais, etc. Esclarece Singer que há muito tempo existe oposição à experimentação em animais, mas que “essa oposição alcançou poucos resultados porque os experimentadores, apoiados por empresas comerciais que lucram com o suprimento de animais de laboratório e equipamentos, têm conseguido convencer os legisladores e o público de que a oposição é feita por fanáticos desinformados, que consideram os interesses dos animais mais importantes que os interesses dos seres humanos (…) legisladores recorrem ao que lhes dizem os ‘especialistas’, mas esta é uma questão moral, e não científica, e os ‘especialistas’, em geral, têm interesse na continuação da experimentação”.

 

Temos direito a não sermos torturados

 

O Dr. Alberto Sabin que descobriu a vacina contra a paralisia infantil, reconheceu que o fato de ter realizado pesquisas em macacos atrasou em mais de 10 anos a descoberta da vacina.

 

O médico Ray Greek, diz que a pesquisa com animais atrasa o desenvolvimento de remédios.

 

A seguir, transcrevo um trecho de uma entrevista dada à revista Veja pelo médico Ray Greek:

 

“A falácia nesse caso é de que devemos testar essas drogas primeiro em animais antes de testá-las em humanos. Testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos. Assim, você pode testar uma droga em um macaco, por exemplo, e talvez ele não sofra nenhum efeito colateral. Depois disso, o remédio é dado a seres humanos que podem morrer por causa dessa droga. Em alguns casos, macacos tomam um remédio que resultam em efeitos colaterais horríveis, mas são inofensivos em seres humanos. O meu argumento é que não interessa o que determinado remédio faz em camundongos, cães ou macacos, ele pode causar reações completamente diferentes em humanos. Então, os teste em animais não possuem valor preditivo. E se eles não têm valor preditivo, cientificamente falando, não faz sentido realizá-los (…) A maioria das drogas é descoberta utilizando computadores ou por meio da natureza. As drogas não são descobertas utilizando animais. Elas são testadas em animais depois que são descobertas. Essas drogas deveriam ser testadas em computadores, depois em tecido humano e daí sim, em seres humanos. Empresas farmacêuticas já admitiram que essa será a forma de testar remédios no futuro”.

 

Mas, não devemos pensar que as pessoas que fazem experimentos em animais sejam cruéis, sádicas. Não. Apenas estão insensibilizadas e encaram os animais como mais um instrumento do laboratório, mas isso porque existe esta “cegueira ética condicionada” no dizer de Donald J. Barnes, pesquisador que acabou se arrependendo quanto a seu trabalho com irradiação de macacos treinados para a Força Aérea Americana.

 

Vivisseccionistas simplesmente não se questionam, aceitam como normal, uma vez que foram treinados para isso. Colegas seus fazem isso, professores fazem isso, grandes cientistas fazem isso… acabam encarando com naturalidade.

 

Mas eu acredito em evolução e creio que em um futuro não muito distante não haverá mais este tipo de tortura. Assim como um dia houve a abolição dos escravos, um dia haverá a abolição animal.

 

Abolição animal

 

FONTES:

http://www.institutoninarosa.org.br/site/

http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/a-pesquisa-cientifica-com-animais-e-uma-falacia-diz-o-medico-ray-greek/

http://www.pea.org.br/crueldade/testes/#As Alternativas

 

[1] O livro The Principle of Humane Experimental Technique (Russel & Burch, 1959) foi o ponto de partida para os 3R’s. Os 3R’s influenciaram a legislação relativa aos animais de laboratório e constituem as linhas de orientação para a experimentação animal- “todos os procedimentos que podem substituir completamente a necessidade de efectuar experiências com animais, reduzir o número de animais necessários, ou diminuir o sofrimento sentido pelos animais utilizados para o benefícios de humanos e outros animais.” Pesquisa feita na Wikipédia

Crédito de imagens: Freepik, Freepik

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