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Valda Prata

Valda Prata

Protetora dos Animais

Funcionária pública e protetora dos animais nas horas vagas. Presidente da FAUNA (Francisco de Assis União Protetora dos Animais) de São José do Rio Preto/SP.

Por que sou vegetariana

Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdade mentais… Os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade, sofrimento” (Charles Darwin).


Com esta frase, Darwin está dizendo que os animais são sencientes. Senciência (capacidade de sentir) é uma palavra que ainda não consta no nosso dicionário (pelo menos não achei no meu). Consta apenas o adjetivo “senciente”, que significa “que sente; que tem sensações”. Os animais são sencientes, portanto, sofrem e este sofrimento não é só físico, pode ser moral também, ou seja, eles também têm sentimentos – ficam tristes e alegres.

Por que sou vegetariana

Quando tomamos consciência de que os animais são seres sencientes, ou seja, surge uma tormentosa questão: comer ou não comer carne?

Muitas pessoas optam pela dieta vegetariana, algumas por motivos de saúde, outras por motivos ecológicos, outras porque não concordam em matar para comer, outras por motivos espirituais etc. Cada um tem seu motivo e seu livre arbítrio. Não estou aqui pra dizer o que é certo ou errado. Quem sou eu? Vamos apenas comentar sobre o assunto.

O que é ser vegetariano? E vegano?

Primeiramente, vamos esclarecer que vegetariano não é o que só come vegetal. Comem também frutas, legumes, grãos, etc. Ser vegetariano é não comer carne ou seus subprodutos (presunto, bacon, salsicha, salame etc).


Entre os vegetarianos, existem alguns mais radicais, conhecidos por veganos ou vegans que excluem de sua alimentação e de sua vida todos os produtos de origem animal. Não comem carnes, peixes e aves, não tomam leite, nem nada derivado do leite (manteiga, queijo, iogurte etc.), nem ovos, nem mel. Além disso, não usam roupa de couro, lã ou seda e não usam nada (cosméticos, sabonetes, xampus, etc) que tenha em sua composição óleo de origem animal. Os adeptos do veganismo acreditam que não há diferença entre comer carnes e comer ovos ou laticínios, porque também na indústria de laticínios e de ovos os animais são explorados de forma cruel, o que é uma verdade.

O termo inglês vegan (pronuncia-se vígan) é uma corruptela da palavra “vegetarian”, em que se consideram as 3 primeiras letras e as 2 últimas para formar a palavra vegan. Em português se consideram as três primeiras e as três últimas letras (vegetariano), na formação do termo vegano. Tem sido usado também o termo veganista para se referir aos adeptos do veganismo.1

Cabe a cada um escolher seu modo de vida de acordo com a sua consciência. Até porque “ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art.5º, II da Constituição Federal Brasileira).

Aliás, estudiosos no assunto dizem que o ser humano, como os animais vegetarianos, possui os intestinos alongados. Como são mais compridos do que os dos animais carnívoros, a carne que comemos permanece em nosso intestino por mais tempo; consequentemente, apodrece e libera toxinas.

Esqueça o sítio do Chico Bento

Paul McCartney, que tem se mostrado um defensor dos animais, disse uma coisa certa: Se os matadouros fossem de vidro, pouca gente comeria carne”. E é verdade, porque quando compramos a carne no supermercado que vem até embaladinha em bandejas, a gente nem lembra que aquele pedaço de carne ou aquela salsicha, na verdade é um pedaço de um animal que foi morto.

Não há como não se revoltar ao saber que vitela é a carne de um bezerro anêmico que ficou em um cercado bem pequeno, sem poder se mover. Tudo para a carne ficar macia. Ou que patê de fígado de ganso (foie gras), é obtido através da tortura destas aves. Para que o fígado fique bem grande, eles obrigam os gansos a comer, inserindo um tubo em sua garganta, chegando até o estômago, para enfiar muita comida. A intenção é que o fígado aumente (leia-se “fique doente”). Sem contar que as aves ficam confinadas, sem poder se movimentar. Então, o tão chique foie gras, não passa de patê de fígado doente! Isso é uma barbárie!

Atrás de nossos alimentos tem tanto sofrimento! Dificilmente fazemos esta associação, mas é a verdade. Ainda temos aquela imagem tradicional de uma fazenda ou sítio… Tudo tranquilo… O pomar… A horta… As galinhas no terreiro… A vaca no pasto… Uma porca com seus porquinhos… Tipo o gibi do Chico Bento. Daí podemos pensar: “Ah! Faz parte da vida…é a cadeia alimentar. Eles viveram felizes na fazenda e agora vão servir de alimento”. Sinto dizer, mas hoje não é assim.

As fazendas hoje em dia não são cuidadas pelo Chico Bento – hoje falamos em agronegócio. E a empresa tem que dar lucro. Não estão interessadas na qualidade de vida do animal. Vivem sem espaço e sua única atividade é comer.

O sofrimento dos animais

Os frangos de corte ficam comendo o tempo todo, para crescerem e engordarem rápido. Em poucas semanas já estão prontos para serem pendurados de cabeça para baixo e degolados.

E as galinhas poedeiras? Vivem mais que os frangos de corte, ou seja, seu tempo de sofrimento é maior. Ficam amontoadas em gaiolas onde mal conseguem se mexer. Apenas transformando ração em ovos. Entra ração, sai ovo… É assim que as vêm as granjas: Uma máquina de fazer ovos. Passam a vida em uma gaiola.

E como ficam estressadas e podem bicar umas as outras, eles fazem a “debicagem”: simplesmente cortam o bico enquanto elas ainda são pintinhos e não imaginem que dão anestesia ou tratam o ferimento. Assim vivem as pobres galinhas até que sua produção de ovos diminui e então são transformadas em torta.

Melhor sorte não têm os bois e porcos ou qualquer outro animal criado pelos métodos de criação intensiva, porque é necessário diminuir os custos. Vivem confinados. O que importa para a empresa é o lucro, não o animal – este é apenas um produto que trará lucro. O transporte é feito em caminhões apinhados e não querem nem saber se estão com fome ou sede ou frio… E quando chegam ao abatedouro, não podem perder tempo… Tempo é dinheiro. Que importa se estão amedrontados pelo ambiente estranho? Vão sendo tocados em fila, amontoados, até chegar sua hora.

Mesmo que a criação seja pelo “método tradicional”, em sítios de pessoas simples, que cuidam bem dos animais, não tem como não haver sofrimento: separação de mãe e filhote, marcação, transporte e abate.

E os peixes? A impressão é que vivem felizes até serem pescados. Nem sempre. Hoje em dia também tem criação em viveiros. De toda forma, tira-se a vida dele.

Admiro os veganos que não comem carne, nem ovo, nem tomam leite. Sua dieta é isenta de crueldade. Sim, no leite também há sofrimento. As vacas são obrigadas a emprenhar constantemente, depois os bezerros são separados de suas mães, se forem machos, serão para corte, se forem fêmeas, talvez virem leiteiras também. As vacas ficam confinadas e algumas recebem hormônios para estimular mais a produção do leite. Ficam com aquelas tetas enormes. Que dó! E quando ficam velhas, também vão para o matadouro.

Ainda não eliminei o leite da minha vida. Quase não tomo o leite, mas como seus derivados: queijo, iogurte, doces etc. É muito difícil eliminar, de uma só vez, um hábito de uma vida inteira. Mas é possível – podemos substituir o leite de vaca por leite de soja ou de outro vegetal ou fruta.

Podemos sim passar sem leite e sem ovos, mas é necessário cuidado, para não faltar a vitamina B12. Muitos vegans tomam suplementos de vitaminas B12 para evitar alguma deficiência desta vitamina. Mas, em compensação a alimentação do vegano é muito mais saudável: sem colesterol, pouca gordura, rica em fibras, vitaminas e minerais. Ser vegano é uma filosofia de vida. Mas, se você pretende ser vegano, ou mesmo vegetariano, informe-se e alimente-se bem, substituindo adequadamente as proteínas de origem animal.

O que é ser vegetariano e vegano

Quando li o livro “Libertação Animal” do Dr. Peter Singer e assisti o filme do instituto Nina Rosa “A Carne é Fraca”, comecei a me questionar seriamente: como posso dizer que gosto de animais se continuo comendo carne? Alguns animais eu amo… outros eu como. Não posso dizer que gosto de animais. Não tem coerência! Gosto só de gatos e cachorros e não me importo com vacas, bois, galinhas? Comendo carne, sou cúmplice de tudo o que acontece nos matadouros. Estou aprovando o assassinato de um animal, apenas para agradar meu paladar, porque já sei o suficiente para entender que realmente não necessito de comer carne para viver saudável.

Fiquei pensando no que o Dr. Peter Singer diz em seu livro “Libertação Animal2”:

“É nesse ponto que somos forçados a dar uma prova pessoal da sinceridade de nossa preocupação com os animais não-humanos. Aqui temos uma oportunidade de fazer algo, ao invés de meramente falar e desejar que os políticos façam alguma coisa. É fácil nos posicionarmos sobre um assunto remoto. Protestar contra touradas na Espanha, contra que se coma cachorro na Coreia do Sul ou contra o assassinato de foquinhas no Canadá e continuar comendo ovos de galinhas que passaram a vida espremidas em gaiolas, ou vitela de bezerros que foram privados de sua mãe, de sua alimentação natural e da liberdade de esticar as pernas, é como denunciar o apartheid na África do Sul e pedir ao vizinho que não venda a casa para negros”.

Então, tomei a decisão. Não foi fácil, mas estava me incomodando muito. Não é fácil romper com um hábito de uma vida inteira. Não como mais carne, porque agora tenho realmente consciência sobre o assunto. Quanto aos ovos – hoje compro só ovos caipiras. Pelo menos as galinhas estão vivendo ciscando no terreiro – e, até que virem torta, vivem bem.

Comentários descabidos

Quando me tornei vegetariana, fiquei muito orgulhosa de mim mesma e ficava falando pra todo mundo. Mas, logo percebi que as pessoas não compreendem. Percebi que muita gente realmente fica incomodada com o fato. A maioria das pessoas acha um absurdo e tentam me convencer do contrário – e quando explico meus motivos, riem. Acham que estou precisando ser interditada ou coisa assim.

Alguns comentários que já ouvi: “Ah! Mas o animal já está morto mesmo”. Mas, parece-me tão óbvio: só matam porque sabem que vão vender. Quanto maior a procura, maior a oferta, mais alto o preço. Quanto menor a procura, menor o preço e, consequentemente, menor o lucro.

Outro: “Mas o que você come?” E fazem esta pergunta, como se não conseguissem imaginar o que eu como!! Tanta coisa: arroz, feijão, soja, lentilha, grão-de-bico, trigo, ervilha, batata, beterraba, cenoura, brócolis, alface, tomate, repolho, milho, quiabo, mandioca, pimentão, abóbora, vagem, couve, banana, maçã, laranja, abacaxi, ameixa, castanha, damasco, manga, pêssego… Preciso continuar? A natureza é pródiga.

Outro: “Mas tudo isso, esta produção intensiva, é necessário para alimentar a população mundial, hoje muito maior do que antigamente”. Rebato: a quantidade de alimento e água de que precisamos para alimentar um bezerro é muito maior do que a carne que conseguimos dele. A terra que poderia ser usada para cultivar está sendo usada para pastagem ou para produzir alimento para o próprio gado. Segundo especialistas em meio ambiente, 450 gramas de bife criados em curral de engorda custam 2,26 quilos de grãos e 9.450 litros de água. 450 gramas de carne exigem cinquenta vezes mais água do que a equivalente de trigo3. Quanta água! Se utilizarmos os grãos que serviram para alimentar o gado, poderíamos alimentar muito mais pessoas do que com a carne produzida. Então, o consumo de carne está ligado à fome no mundo.

Além disso, atualmente a criação de gado tem sido uma das principais causa da destruição de florestas. Destroem-se florestas (e consequentemente a biodiversidade) para formar pastagens. Além de tudo isso, os gases emitidos pelos animais fazem aumentar o efeito estufa. Nem precisamos falar do fato de tirar a vida dos animais. Só a destruição das florestas seria motivo para nos tornarmos vegetarianos. Vejamos a lição de Peter Singer4 :

É a destruição das florestas que se mostra como a maior de todas as loucuras cometidas em nome da demanda por carne. Historicamente, o desejo de apascentar animais tem sido o motivo principal da derrubada das florestas. Hoje em dia, ainda é assim. Na Costa Rica, na Colômbia e no Brasil, assim como na Malásia, Tailândia e Indonésia, as florestas tropicais estão sendo derrubadas para prover áreas de pastagem para o gado. (…) Talvez 90 por cento das espécies vegetais e animais deste planeta vivam nos trópicos, sendo que muitas delas sequer foram, ainda, identificadas pela ciência. Se a derrubada continuar no ritmo atual, elas serão extintas. Além disso, a derrubada das florestas provoca erosão, e o aumento de chuva não absorvida pelo solo causa inundações (…) Estamos perdendo essas florestas exatamente no momento em que começamos a aprender como são realmente vitais. (…) A destruição das florestas existentes intensificará o efeito estufa5 (…) O aquecimento de nosso planeta significará, nos próximos cinquenta anos, seca generalizada, novas destruições de florestas provocadas por mudanças climáticas, extinção de numerosas espécies incapazes de lidar com as alterações de seu habitat e degelo das calotas polares, o que, por sua vez, fará subir o nível do mar, inundando cidades e planícies litorâneas (…)”.

Outra ideia que se tem é que precisamos da proteína da carne. Eu também me dizia isso quando comia carne e realmente acreditava nisso. Falta de informação. Fomos criados com esta ideia e nem paramos para questioná-la seriamente. Mas, depois de ler sobre o assunto, pude entender que não é assim. De fato precisamos de proteínas. Mas, não precisamos necessariamente comer a proteína da carne. Podemos ingerir diferentes tipos de proteínas de origem vegetal e substituir plenamente as de origem animal.

Outro comentário frequente é de que se animais matam animais na natureza, porque não podemos comê-los? Não digo que não se possa comê-los, apenas acho que como somos seres morais, que temos consciência, poder de reflexão, já podemos escolher entre comer ou não comer carne, causar ou não causar sofrimento. Temos capacidade de escolha. Temos o livre-arbítrio.

Também já ouvi que nosso cérebro só se diferenciou dos macacos porque incluímos carne em nosso cardápio. Não sei dizer. Não tenho este conhecimento, mas creio que se assim foi, hoje temos conhecimento suficiente para conseguir todos os nutrientes necessários, sem ingerir carne, o que talvez não fosse possível na Pré-História.

O pior de todos os comentários e que já ouvi várias vezes: “Mas você come alface… Você não tem dó da alfacinha? Ela também tem vida”. E devem pensar: “Arráá.. Agora te peguei. Sai dessa!”. E é a alface. Ninguém fala da rúcula ou do espinafre. Até onde se sabe (prova científica), plantas não possuem sistema nervoso e, portanto, não sentem dor.

Segunda Sem Carne

Se você tem vontade de parar de comer carne mas ainda não consegue, que tal começar pela segunda-feira? Tem uma campanha chamada “Segunda Sem Carne”. Veja no site http://www.segundasemcarne.com.br/o-que-e-a-campanha/ . A Luisa Mell lançou o desafio 21 dias sem carne – https://www.facebook.com/hashtag/21diassemcarne?source=feed_text&story_id=1148827675162005 , mas se vc conseguir pelo menos a segunda-feira já está ótimo.

FONTES:

1 Wikipédia

2 Liberação Animal foi publicado pela primeira vez em 1975. O filósofo Peter Singer é Australiano e atualmente é catedrático de bioética no Centro de Valores Humanos da Universidade de Princeton.

3 Dado tirado do livro “Libertação Animal” do Dr. Peter Singer – pg 189/190 – edição 2008

4 Libertação Animal – edição 2008 – pg. 191

5 O efeito estufa (português brasileiro) ou efeito de estufa (português europeu)é um processo que ocorre quando uma parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera. Como consequência disso, o calor fica retido, não sendo libertado para o espaço. O efeito estufa dentro de uma determinada faixa é de vital importância pois, sem ele, a vida como a conhecemos não poderia existir. Serve para manter o planeta aquecido, e assim, garantir a manutenção da vida.O que se pode tornar catastrófico é a ocorrência de um agravamento do efeito estufa que desestabilize o equilíbrio energético no planeta e origine um fenômeno conhecido como aquecimento global. (consulta feita na Wikipédia).

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